EU DEIXEI ELE IR...




O deixei atravessar a porta. Deixei que se afasta-se, correndo para longe enfurecido. Um pouquinho a cada passo. Eu ouvi o barulho da porta batendo atrás de mim, e ainda assim, deixei que fosse. Ainda com o som do impacto ecoando pela minha mente, a cada segundo ficava mais difícil de alcança-lo. Eu sabia. Paralisada, observei o tempo. Como será daqui para frente? Como será a minha vida sem aquele cara? Não parece valer a pena. Não tem sentido nenhum. Isto é extremamente deprimente, não é? Pateticamente, triste. Mesmo assim, deixei com que fosse embora e agora não consigo mais respirar. Vejo a facilidade que teve em me deixar, quero vomitar. Droga! Ele realmente foi embora! Como assim?!
Se eu correr, talvez consiga alcança-lo. Caminho até a janela e o vejo entrando em um táxi. Nossa! Não posso deixar com que ele vá! Cadê a chave do meu carro? Droga! Ele está na oficina. Talvez eu tenha a sorte de conseguir um táxi tão rápido quanto. Cadê minha bolsa? Droga! Essa casa está uma bagunça! Preciso colocar uma calça, não posso sair apenas de calcinha. Abro o guarda-roupa, o lado dele está vazio. Ele levou as roupas.

Acabou... Respiro fundo, é o fim.

Não! Não me parece justo!

Tranco a porta, entrando no elevador. Espero que ele tenha ido para casa. Olho o relógio rapidamente, e paraliso. 10 minutos. Já se passaram, 10 minutos. É tempo suficiente para ele refletir e voltar. Mas cadê? O elevador desce devagar. Ele nem sequer me ligou! Droga! Começo a encarar a tela do meu celular pensando que talvez não valha tanto a pena impedi-lo de ir, e se ele realmente quiser ir? O que posso fazer além de aceitar? Ele deve estar indo para um bar qualquer. Ótima ideia! Eu tenho que encher a cara desviando essa dor ridícula, eu mereço mais. Eu mereço alguém que volte depois de uma briga! Mas a bebida pode piorar as coisas, não é? Fazendo-me ligar desesperada ou alguma outra besteira. Não, não posso me humilhar. O amor é mais que isto. Acho melhor voltar para o apartamento. Mas o vazio dos cômodos me trará uma sensação terrível de solidão. Mas e se for só isto que me resta? O que posso fazer além de aceitar?
O elevador se abre, e nada mais parece ter sentido. Eu estou perdida sem ele. E se ele encontrar outra direção nos braços de outro alguém, o que posso fazer além de aceitar? Saiu do elevador rapidamente, correndo em direção à rua. Nenhum taxi passa, nada. Olho para o céu que ameaça chover, a sensação é desesperadora. Ele é o amor da minha vida.

20 minutos, e nada.

Relembro da facilidade que teve em me deixar, e desisto. Caminho até as escadas do prédio, pateticamente choramingo. Eu perdi algo difícil de ser recuperado por orgulho. E por orgulho, ele me perdeu. Enterro a cabeça nas mãos, sinto gotas caindo. Escuto pessoas correndo para se abrigar da chuva, mas continuo ali pateticamente choramingando. O que posso fazer além de aceitar? Eu sou tão idiota! Dependente! Eu o tornei o meu céu, isso jamais acabaria bem. É perigoso! É perigoso se tornar tão vulnerável em pleno sec. XXI. Olho para o lado, um cara caminha na minha direção. Deve ser o porteiro preocupado. Levanto-me e resolvo entrar, fugindo dos fatos. Ouço alguém gritar meu nome, rapidamente olho para trás sentindo a chuva cair sobre mim. Eu conheço essa voz.
Abraçou-me tão forte, meu coração pulou. Respiro fundo sobre seu perfume, acomodando-me no conforto dos seus braços. Ele voltou, minha mente berra. Como assim?! Ele voltou?

Ele voltou.

Não me faz perguntas, muito menos parece bravo. Apenas, me beijou.
A chuva aumenta. Mas dentro de mim faz sol

Milena Oliveira

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6 comentários:

  1. Que texto maravilhoso! Confesso que em certas partes me identifiquei, incrível <3

    Beijos,
    www.nunamendes.com

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    1. Obrigada, anjo. Fico feliz que tenha gostado, e em algum momento da vida iremos acabar nos identificando com esse texto, faz parte. Enfim, volte sempre OK? Beeijos

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  2. Eu fico lendo e imaginando eu na cena hehe adorei lindo texto, você escreve maravilhosamente bem..

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    1. Obrigada, anjo. Fico feliz que tenha adorado, obrigada pelo carinho. <3 E sobre imaginar a cena, nossa!!! Eu estou pulando de alegria. Afinal, é isto que todo escritor sonha quando está escrevendo algo. Levar o leitor para outro lugar, outro momento. Agradeço novamente, e volte sempre! beeeeijos

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  3. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho.Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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    1. Oi, António. Muito obrigada pelo carinho e afeto, não sei o que dizer... Só agradecer mesmo. Fico muito feliz que tenha gostado do blog, volte sempre, por favor. Irei visitar o seu blog logo, logo... E já sei que irei encontrar um blog também feito com muito carinho. Desejo tudo em dobro, muita felicidade e saúde em sua casa também. Abraço!

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